A SAF Botafogo entrou com pedido no Tribunal Arbitral da Fundação Getulio Vargas para que seja revista a decisão tomada nesta quinta-feira (23), que determinou o afastamento provisório de John Textor do comando da sociedade anônima do clube.

A solicitação foi assinada por 15 advogados e questiona supostas irregularidades cometidas pela Eagle Football, empresa envolvida no litígio com o empresário norte-americano.

Entre os principais argumentos apresentados pela defesa está o de que o tribunal teria determinado o afastamento de Textor sem que esse pedido tivesse sido feito diretamente pela Eagle. Segundo a petição, a empresa teria solicitado apenas a revogação da liminar judicial que mantinha o dirigente no controle da SAF, e não sua saída imediata.

Os representantes da SAF Botafogo sustentam ainda que qualquer medida desse porte deveria passar por deliberação em assembleia geral com participação do clube associativo.

Outro ponto levantado diz respeito a uma operação planejada por Textor no início deste ano. Na ocasião, o empresário assinou contrato para transferir ações da SAF Botafogo para outra empresa de sua propriedade, sediada nas Ilhas Cayman, sem autorização formal da Eagle.

A defesa afirma, porém, que a operação não seria concluída sem o aval da Ares, grupo controlador da Eagle, e alega que existiria um e-mail comprovando isso, documento que teria sido omitido durante o processo arbitral.

O tribunal também citou como fundamento para o afastamento a abertura de processo de recuperação judicial pela SAF, supostamente contrariando recomendação expressa da Eagle, detentora de 90% das ações da empresa.

Sobre esse tema, a SAF Botafogo argumenta que apenas adotou medidas preparatórias relacionadas à recuperação judicial, sem formalização definitiva.

A petição ainda aponta que a Ares estaria por trás da disputa com o objetivo de assumir o controle do Lyon, da França, sem quitar valores que, segundo Textor, seriam devidos ao Botafogo.

O afastamento de John Textor tem caráter provisório e será reavaliado nos próximos dias. Enquanto isso, a administração da SAF Botafogo está sob responsabilidade do ex-presidente Durcésio Mello.