Franca, conhecida nacionalmente como a capital do calçado, parou em 1985. Às vésperas do fim do regime militar e com a transição democrática ainda em construção, os sapateiros da cidade decidiram que era hora de reivindicar melhores salários e condições dignas de trabalho. Nascia ali uma das greves mais marcantes da história do movimento sindical brasileiro.
O contexto era de efervescência política: Tancredo Neves havia sido eleito presidente pelo voto indireto, representando a esperança de novos tempos, mas sua morte inesperada levou José Sarney ao comando do país. Nas fábricas, enquanto o governo João Figueiredo chegava ao fim, o clima também era de ruptura. Sem acordo com os empresários, os trabalhadores cruzaram os braços.
A resposta veio com força. Policiais reprimiram duramente mobilizações, lideranças sindicais foram presas e o Sindicato dos Sapateiros chegou a sofrer intervenção. Ruas que antes ecoavam apenas o barulho das máquinas viraram palco de confrontos — uma verdadeira batalha pela sobrevivência dos direitos trabalhistas.
Mas a categoria não recuou. A união entre os trabalhadores, a atuação firme das mulheres e o apoio de setores progressistas da Igreja Católica sustentaram o movimento até a vitória. Foi um marco de coragem que ultrapassou o chão das fábricas e entrou para a história da cidade.
Quarenta anos depois, a economia francana se diversificou e novas indústrias surgiram. Ainda assim, o legado daquela luta permanece vivo: a certeza de que direitos se defendem com organização e resistência.
📺 Vídeos das assembleias de 1985 podem ser encontrados no YouTube, preservando a memória de quem não teve medo de lutar.
Parte 1:
Parte 2:
