Uma cristã perseguida pelo grupo extremista Boko Haram retornou à sua comunidade na Nigéria para ajudar outros fiéis a permanecerem firmes na fé mesmo após anos de violência e sofrimento.
Esther cresceu em Gwoza, no estado de Borno, em uma família cristã liderada por seu pai, que era pastor. Antes dos ataques terroristas, ela descreve a vida da comunidade como simples e ativa na igreja.
“Nós cultivávamos a terra, participávamos da igreja e eu ajudava no coral e como secretária da congregação”, contou em entrevista à organização Global Christian Relief.
A rotina mudou drasticamente quando o Boko Haram atacou a região. Segundo Esther, moradores foram informados de que soldados chegariam para protegê-los, mas acabaram surpreendidos pelos terroristas.
“Pensamos que eram soldados, mas começaram a gritar que era o Boko Haram. Antes que conseguíssemos fugir, já havia pessoas mortas”, relembrou.
Na época, Esther vivia com o marido, os sete filhos e os sogros. Seu sogro permaneceu na propriedade para cuidar dos animais da família e acabou assassinado pelos extremistas.
“Eles o mataram e separaram a cabeça do corpo”, contou.
Após o ataque, Esther e a família fugiram para uma região montanhosa, onde permaneceram escondidos em uma caverna por cerca de duas semanas. Segundo ela, os terroristas chegaram a lançar gás lacrimogêneo na área para localizar sobreviventes.
“Se ouvissem alguém tossir, iam até lá e matavam. Mas Deus nos protegeu”, afirmou.
Depois da fuga pelas montanhas, a família atravessou a fronteira e chegou aos Camarões, onde enfrentou condições extremamente difíceis.
“Dormíamos ao relento, no chão cheio de vermes, sem esteira, sem nada”, disse Esther.
Mesmo após todo o sofrimento, ela decidiu retornar à Nigéria cerca de um ano depois para reconstruir a vida e reencontrar familiares. Hoje, mais de uma década após os ataques, Esther vive novamente no país e trabalha como professora em uma escola dentro de um campo de deslocados.
Com apoio de uma organização parceira da Global Christian Relief, ela recebeu ajuda humanitária, suporte espiritual e conseguiu concluir uma licenciatura em educação.
Agora, Esther usa sua história para encorajar outras famílias cristãs perseguidas.
“Às crianças da escola, eu digo para se apegarem firmemente à Palavra de Deus”, declarou.
Apesar das marcas deixadas pela violência, ela afirma continuar firme na fé.
“Devemos perseverar. Não há como abandonar Jesus, aconteça o que acontecer”, concluiu.
