A contagem regressiva para a Copa ganhou um balde de água fria. A lesão grave de Rodrygo — rompimento do menisco e do ligamento cruzado anterior do joelho direito — tira o atacante do Mundial a exatos 100 dias da bola rolar. O jogador do Real Madrid está fora do torneio que será disputado em Estados Unidos, México e Canadá.
Figura constante nas convocações desde 2019, Rodrygo era peça-chave no ciclo. Com oito gols, liderava a artilharia da Seleção no período e vinha assumindo a camisa 10 na ausência de Neymar. Versátil, entregava repertório: ponta esquerda — sua preferência —, direita ou até centralizado como meia. Um coringa que dava flexibilidade tática ao técnico Carlo Ancelotti.
E agora, professor?
Nos últimos amistosos, Ancelotti apostou em um quarteto ofensivo, com Vini Jr. mais por dentro. Com Rodrygo aberto pela esquerda em boa parte desses jogos, a engrenagem funcionava com mobilidade e profundidade. Sem ele, o treinador pode devolver Vini à ponta — função que exerce no clube — ou promover um novo titular.
Nesse cenário, Gabriel Martinelli, do Arsenal, surge como favorito. Bem avaliado internamente, só ficou fora de uma convocação recente por lesão. É jovem, agressivo e recompõe — pacote completo.
Neymar volta ao jogo?
A baixa de Rodrygo mexe também com o tabuleiro de Neymar. O camisa 10 do Santos tenta retomar espaço após longo período afastado por lesão no joelho. Fora das listas desde outubro de 2023, ele terá dois compromissos antes da próxima convocação, contra Mirassol e Corinthians. No dia 16, Ancelotti anuncia os 26 nomes para os amistosos diante de França e Croácia.
Mais ataque ou reforço no meio?
Sem Rodrygo, abre-se uma vaga estratégica. Ancelotti pode equilibrar o elenco reforçando o meio-campo — setor que variou entre cinco e seis convocados nas últimas listas — ou ampliar as opções de centroavante. Nomes como Matheus Cunha, Richarlison, João Pedro, Kaio Jorge, Igor Jesus e Vitor Roque já foram testados no comando de ataque.
Corre por fora Antony, em alta no Real Betis. Canhoto, mas habituado à direita. O mesmo perfil de Luiz Henrique, do Zenit, presença constante nas últimas listas.
Resumo da ópera: perde-se talento e imprevisibilidade. Ganha-se uma disputa aberta, daquelas que aceleram desempenho. A Seleção terá que se reinventar — e rápido. Copa não espera ninguém.
