A coronel Glauce Anselmo Cavalli entrou para a história ao assumir o comando geral da Polícia Militar do Estado de São Paulo. É a primeira vez, em quase dois séculos de existência da corporação, que uma mulher ocupa o posto mais alto da instituição.
A posse aconteceu na Academia de Polícia Militar do Barro Branco, na capital paulista, e contou com a presença do governador Tarcísio de Freitas e de diversas autoridades da área de segurança pública.
No discurso de estreia, a nova comandante foi direta ao ponto: o enfrentamento à violência doméstica será prioridade máxima. Entre as medidas anunciadas estão a expansão das “cabines lilases”, ampliação do atendimento por videochamadas, criação de espaços de acolhimento dentro de quartéis e o fortalecimento do aplicativo São Paulo Mulher Segura.
Sem rodeios, Cavalli também colocou na mesa outro KPI crítico: manter a queda dos índices de criminalidade e elevar a sensação de segurança da população. No radar estratégico, o combate ao crime organizado ganha musculatura, com foco em sufocar financeiramente as facções e intensificar a prisão de lideranças.
A nomeação carrega peso simbólico — e ela sabe disso. Durante a fala, destacou que sua chegada ao topo é resultado de uma jornada iniciada lá atrás, com a entrada das primeiras mulheres na PM nos anos 1950. Traduzindo: não é só sobre cargo, é sobre legado.
Com currículo robusto, a coronel já rodou áreas operacionais, jurídicas e administrativas. Antes do novo desafio, liderava a Diretoria de Logística da corporação. Também comandou o CPA/M-2, uma das regiões mais densas da capital, além de ter passado pela Coordenadoria de Assuntos Jurídicos e pelo Centro de Comunicação Social.
No campo acadêmico, o portfólio é consistente: doutora e mestre em Ciências Policiais de Segurança e Ordem Pública, formada em Direito pela Universidade Cruzeiro do Sul e em Educação Física pela própria PM.
Fechando com uma linha clara de gestão, Cavalli afirmou que pretende conduzir a instituição com base em legalidade, transparência e compromisso com a sociedade. Na essência, sem glamour: servir e proteger continua sendo o core business do policial militar.
