Depois de um tsunami de críticas e calorosas discussões no trânsito político, o governo federal recalibrou seu plano para a formação de novos motoristas no Brasil. O projeto “CNH para Todos”, que visa baratear os custos para quem sonha em dirigir, sofreu ajustes e agora mantém um mínimo de cinco aulas práticas obrigatórias, ao mesmo tempo em que cria um curso teórico totalmente on-line e gratuito.

Hoje, para conquistar a Carteira Nacional de Habilitação (CNH), o candidato encara 20 horas de direção e 45 horas de aulas teóricas presenciais — formato considerado caro e engessado por muitos. No rascunho inicial do Ministério dos Transportes, as autoescolas sairiam do radar obrigatório, mas a pressão de especialistas em segurança viária e do próprio setor mudou a rota.

A grande inovação segue viva: o instrutor autônomo credenciado. Ele poderá ensinar usando o próprio carro ou até o veículo do aluno — sem necessidade de vínculo com uma autoescola. Segundo o governo, essa flexibilidade pode derrubar os custos da CNH em até 80%, democratizando o acesso ao volante sem colocar a segurança em marcha à ré.

A população também pegou carona nessa discussão. A consulta pública no “Participa + Brasil” bateu recorde: mais de 32 mil contribuições em apenas 20 dias. E quem quiser ainda pode participar — o debate segue aberto até 2 de novembro.

Concluída essa etapa, o texto final será levado ao Contran, que dará a palavra definitiva antes de qualquer mudança entrar em vigor. Até lá, vale o que já está no código: regras atuais mantidas, motoristas em formação seguindo o ritual tradicional.

No fim das contas, o governo garante que encontrou o meio-termo entre modernizar e economizar — sem deixar a segurança do trânsito na pista escorregadia.