A Fifa deu início, nesta Copa do Mundo, a uma série de mudanças nas regras do futebol com o objetivo de tornar as partidas mais dinâmicas e reduzir as interrupções durante os jogos. As novidades foram colocadas em prática pela primeira vez na partida de abertura do Mundial entre México e África do Sul, disputada no Estádio Azteca, na Cidade do México.

As alterações fazem parte de um projeto liderado pelo presidente da Fifa, Gianni Infantino, que busca ampliar o tempo efetivo de jogo e combater práticas que retardam o andamento das partidas. A meta da entidade é alcançar uma média de 60 minutos de bola rolando por confronto.

Para desenvolver e implementar as mudanças, a Fifa contou com o trabalho do ex-árbitro italiano Pierluigi Collina, atual chefe do departamento de arbitragem da entidade. Segundo ele, as novas medidas foram pensadas para tornar o futebol mais justo, fluido e atrativo para torcedores e atletas.

Atualmente, o tempo efetivo de jogo ainda está abaixo da meta estipulada. Dados da Opta Analyst apontam que a Copa do Mundo de 2022 registrou média de 58 minutos de bola em jogo, o melhor índice entre os últimos Mundiais. Em torneios nacionais, os números costumam ser ainda menores, variando entre 45 e 52 minutos por partida.

Estudos também mostram que grande parte do tempo perdido ocorre em cobranças de faltas, laterais e tiros de meta. Somadas, essas situações podem representar mais de 30 minutos de paralisações ao longo de um jogo.

Entre as principais novidades está a limitação do tempo para reposição da bola. Agora, jogadores terão até cinco segundos para realizar cobranças de lateral e tiro de meta. Caso o prazo seja ultrapassado, a posse será revertida para a equipe adversária.

Outra mudança envolve as substituições. O atleta substituído deverá deixar o gramado em até dez segundos. Se o tempo for excedido, o jogador que entrará precisará aguardar um minuto para receber autorização do árbitro e participar da partida.

Nos casos de atendimento médico, o atleta lesionado também deverá permanecer fora de campo por pelo menos um minuto antes de retornar ao jogo, medida criada para evitar interrupções estratégicas.

O árbitro de vídeo (VAR) também recebeu ajustes. Embora o tempo das revisões permaneça semelhante ao atual, foram ampliadas as situações em que o sistema poderá atuar, incluindo decisões relacionadas a escanteios, faltas que originem lances decisivos, erros na aplicação de cartões vermelhos e equívocos na identificação de atletas advertidos.

No aspecto disciplinar, uma das medidas que mais chamou atenção foi a criação da chamada “Lei Vini Jr.”. Inspirada em episódios recentes de racismo registrados no futebol internacional, a regra proíbe jogadores de cobrirem a boca durante conversas e discussões em campo, buscando aumentar a transparência das comunicações entre atletas e arbitragem.

Segundo a Fifa, as mudanças já estão em vigor nesta edição da Copa do Mundo e servirão como base para futuras implementações em competições nacionais e internacionais ao redor do planeta.

A expectativa da entidade é que as novas regras contribuam para reduzir a perda de tempo, aumentar o ritmo das partidas e oferecer um espetáculo mais atrativo para torcedores e profissionais do futebol.