Criado em uma família muçulmana conservadora no Iêmen, um jovem identificado como Zaid* viveu uma intensa jornada espiritual que o levou a abandonar o islamismo, encontrar Jesus e, posteriormente, dedicar sua vida ao discipulado de novos convertidos em um dos países mais perigosos do mundo para os cristãos.
Ainda na adolescência, Zaid começou a questionar silenciosamente sua fé. As dúvidas sobre a vida após a morte e a busca por respostas o levaram a abandonar suas crenças religiosas e a se declarar ateu. Durante meses, ele utilizou a internet para pesquisar diferentes visões sobre Deus e participar de debates religiosos.
No entanto, em vez de encontrar respostas, o jovem afirmou que se sentia cada vez mais vazio e solitário.
Foi durante esse período que ele teve contato com cristãos nas redes sociais. Inicialmente, seu objetivo era apenas confrontar e debater com eles. Porém, algo chamou sua atenção.
“O que me atraía era o amor. Mesmo quando eu os provocava, eles respondiam com respeito e nunca com ofensas”, testemunhou.
A curiosidade deu lugar ao interesse genuíno. Aos poucos, Zaid passou a estudar o Evangelho, ler a Bíblia por meio de um aplicativo no celular e receber discipulado online de um cristão. Durante cerca de um ano e meio, aprofundou seu conhecimento sobre a fé cristã até decidir entregar sua vida a Jesus.
Mesmo sabendo dos riscos envolvidos, ele tomou uma decisão ainda mais ousada: ser batizado.
No Iêmen, país que ocupa uma das posições mais críticas nos índices de perseguição religiosa, a conversão ao cristianismo pode resultar em prisão, violência e até morte. Ainda assim, Zaid decidiu seguir em frente.
Com a ajuda de um cristão local, o batismo aconteceu de forma discreta em uma piscina pública. Em meio a dezenas de pessoas, os dois se encontraram, caminharam até um canto do local e realizaram a cerimônia em poucos minutos.
“Aquela foi a primeira vez que encontrei pessoalmente outro cristão no Iêmen”, relatou.
Hoje, com o apoio de parceiros da missão cristã Portas Abertas, Zaid lidera um grupo de discipulado voltado para novos convertidos. O objetivo é fortalecer a fé de cristãos locais e preparar líderes para atuarem em igrejas domésticas, que funcionam de forma clandestina devido à perseguição religiosa.
Apesar das ameaças constantes, ele afirma que sua confiança permanece em Deus.
“Tenho medo como qualquer pessoa. Mas, se não estivermos dispostos a correr riscos, não conseguiremos alcançar nossa comunidade. Os discípulos também enfrentaram perseguições e sofrimentos para que o Evangelho chegasse até nós”, declarou.
A situação dos cristãos no Iêmen tem se tornado cada vez mais delicada. Segundo organizações que acompanham a liberdade religiosa no mundo, dezenas de seguidores de Jesus foram presos ou sequestrados nos últimos meses, muitos deles levados para locais desconhecidos e mantidos sem contato com familiares.
Mesmo diante desse cenário, líderes cristãos relatam que o interesse pelo Evangelho continua crescendo no país, alimentando a esperança de uma Igreja que resiste em silêncio, sustentada pela fé e pela perseverança.
*Nome alterado por motivos de segurança.
