Aos 54 anos, Maria Margarida Roseno Pereira carrega no corpo cicatrizes do passado — e na voz, a convicção de quem diz ter vivido um milagre. Em entrevista ao canal Poder de Deus Documentários, no YouTube, ela relembrou a juventude marcada pelo envolvimento com práticas ocultistas e religiões de matriz africana.
Segundo Maria, tudo começou na adolescência, quando buscava cura para uma enfermidade. Em um centro espiritual, ouviu que precisaria “se desenvolver” por ser médium. A partir daí, aprofundou-se em rituais ligados à umbanda, quimbanda e, posteriormente, ao candomblé. Ainda jovem, passou por ritos de iniciação, incluindo o período de recolhimento no chamado quarto de Roncó e a raspagem da cabeça. Ela afirma que guarda até hoje marcas físicas de cortes realizados durante cerimônias.
Aos 17 anos, mudou-se para São Paulo, onde conheceu o homem com quem se casaria. O casal chegou a morar no espaço de uma mãe de santo, ambiente em que Maria continuou envolvida com práticas espirituais. Enquanto isso, do outro lado da história, a sogra — cristã — orava pela conversão da nora. Segundo Maria, a mulher jejuava e intercedia constantemente por sua libertação, ao lado das irmãs de oração Geralda e Geraldina e do pastor José Ulisses, da Igreja Assembleia de Deus.
O ponto de virada, de acordo com o testemunho, veio após sucessivas perdas gestacionais. Sonhando em ser mãe, Maria enfrentava frustrações constantes. Em uma nova gravidez, começou a apresentar forte sangramento e temeu perder o bebê novamente. Foi nesse momento que, segundo relata, lembrou-se de uma mensagem do pastor sobre o Deus que “faz da estéril mãe de filhos”. De joelhos, fez uma promessa: se a criança sobrevivesse, entregaria sua vida a Deus.
Levada ao hospital, ouviu do médico que o feto estava vivo e que a gestação havia se estabilizado. Ela conta que o profissional teria identificado uma cicatriz no útero, questionando sobre uma possível cirurgia — procedimento que, segundo Maria, nunca ocorreu. Para ela, tratou-se de uma intervenção divina.
Após o episódio, procurou a igreja onde sua sogra congregava e decidiu cumprir a promessa. Ainda durante o culto, foi à frente para aceitar a fé cristã, acompanhada pelo marido. No mesmo dia, ao retornar para casa, o casal afirma ter descartado objetos e altares ligados às práticas anteriores.
No dia seguinte, Maria comunicou à mãe de santo que deixaria o antigo caminho espiritual. “Hoje sou filha do Deus Todo Poderoso”, recorda ter dito. Ela reconhece que o processo de ruptura não foi simples, mas sustenta que encontrou paz na nova fé.
Mais tarde, deu à luz Samuel, o filho que tanto desejava. Depois, vieram também Sara e Samara. Três décadas após a conversão, Maria — hoje conhecida como irmã Guida — segue ativa na igreja e afirma viver dedicada a jejum, oração e comunhão.
“Deus fez coisas extraordinárias na minha vida. Não posso olhar para trás”, declarou.
Assista o testemunho á seguir:
