Em uma favela de Belo Horizonte, a fé tem ocupado espaços onde antes reinava o silêncio — e o medo. Moradores e até traficantes estão sendo alcançados pelo Evangelho por meio de cultos realizados dentro das próprias casas da comunidade Cabana do Pai Tomás, na capital mineira.

A iniciativa é liderada pelo evangelista de rua João Basques, fundador do movimento cristão Parousia, que tem apostado no básico bem-feito: gente reunida, Bíblia aberta e coração disponível. Nada de palco, luz ou megaestrutura. A estratégia é simples, raiz, como sempre foi.

Reprodução via Instagram @joaobasques

Recentemente, João conduziu um culto caseiro que reuniu dezenas de jovens em uma residência da comunidade. Entre louvores e orações, a Palavra foi compartilhada em um ambiente marcado por intensa participação e emoção. Em um vídeo publicado nas redes sociais, ele resumiu a cena com objetividade e impacto: “Esse é o som de um culto caseiro na favela.”

Durante o encontro, o grupo celebrou os frutos do trabalho evangelístico no local. Segundo João, a presença de Deus tem sido percebida de forma clara e transformadora. “É um culto no beco. Até os traficantes sentam para ouvir e ver o que Jesus está fazendo”, testemunhou.

As imagens mostram pessoas louvando, algumas chorando, outras em silêncio profundo — sinais de um ambiente tomado por reverência. “Enquanto muitos procuram estrutura, Jesus escolheu uma sala no coração da favela”, afirmou o evangelista.

“O Cabana tem um Deus”

Criado na própria Cabana do Pai Tomás, João Basques conhece de perto a realidade do bairro. Foi ali que cresceu, orou e sentiu o chamado para transformar o lugar onde nasceu em seu campo missionário. Hoje, dedica sua vida a anunciar o Evangelho a jovens, crianças, viúvas e também a quem vive envolvido com o crime.

Durante anos, ele e sua família pediram a Deus que levantasse mais cristãos comprometidos com a comunidade. Para João, a missão nunca esteve distante. “Eu não fui para a África. Um dia saí de casa e descobri que meu campo missionário era a quebrada onde nasci”, declarou.

Com fé e visão de longo prazo, ele acredita em uma mudança definitiva na identidade do bairro. “O Cabana não será lembrado pelo tráfico ou pelas drogas. Será lembrado como um lugar que tem um Deus. O Deus do Cabana caminha pelos becos, junto a nós.”

Por meio de vigílias, evangelismos de rua e cultos em praças públicas, o movimento Parousia segue fortalecendo espiritualmente a comunidade e formando novos líderes cristãos. O plano é claro, o propósito está alinhado e o impacto já é visível: onde antes havia medo, hoje há louvor. Onde havia escuridão, a fé está abrindo caminho.

Reprodução via Instagram @joaobasques e @movimentoparousia