Uma história marcada por dor, violência e escolhas extremas ganhou um novo rumo após uma experiência espiritual profunda. Nos Estados Unidos, Roxanne Lara, que cresceu em meio ao tráfico de drogas e contrabando na fronteira mexicana, afirma ter encontrado um novo propósito de vida após se render a Jesus.

Desde a infância, Roxanne foi exposta a um ambiente que nenhuma criança deveria vivenciar. Filha de pais envolvidos com atividades criminosas, ela cresceu cercada por situações que alimentaram revolta e sofrimento emocional.

Aos 15 anos, já estava imersa no mundo das drogas, crimes e exploração. Abandonou a escola e saiu de casa em busca de algo que nunca teve: estabilidade e amor.

A morte do pai, em 2009, foi um divisor de águas — mas para o fundo do poço. Consumida pela dor, Roxanne passou a culpar Deus e mergulhou ainda mais em uma vida autodestrutiva.

“Eu desisti de tudo, até de mim mesma”, relembrou.

Sem direção, ela se envolveu com prostituição, violência e tráfico. O vazio, porém, continuava intacto. Nem drogas, nem dinheiro, nem excessos foram capazes de preencher o que faltava.

A primeira ruptura veio na prisão. Após ser condenada por crimes graves, Roxanne teve contato com a Bíblia. Foi ali, entre grades e silêncio, que algo começou a mudar.

“Eu estava exausta”, disse. “Comecei a falar com Deus”.

Mesmo após deixar a prisão, a transformação não foi imediata. Ela ainda enfrentou recaídas e voltou a ser presa em 2020. Foi nesse segundo período de detenção que tomou a decisão definitiva: entregar completamente sua vida a Deus.

O ponto de virada aconteceu já em casa, em um momento de entrega total.

“Eu disse: ‘Jesus, não aguento mais’. E naquele instante senti paz. Um peso saiu de mim. Eu me levantei diferente”.

Segundo Roxanne, foi a primeira vez que sentiu um amor verdadeiro — algo que buscou a vida inteira nos lugares errados.

A partir dali, começou uma nova jornada. Passou a frequentar a igreja, encontrou apoio em outras mulheres e reconstruiu sua identidade.

Hoje, a mulher que um dia esteve atrás das grades retorna às prisões — mas com outro papel. Ela evangeliza detentas, levando uma mensagem que conhece na pele.

“Eu estive lá. Elas precisam ver que existe saída”, afirmou.

Com uma fala direta e sem rodeios, Roxanne resume sua missão como quem virou a chave da própria história: transformar dor em propósito e passado em ponte para alcançar outras vidas.

E deixa o recado, sem filtro: há saída — mas exige decisão.