Em um ato de fé, compaixão e serviço, mulheres cristãs lideradas pela pastora Shaila Manzoni, da Igreja IDE Brasília, têm levado o Evangelho a presídios femininos por meio de ações intensas de evangelismo e cuidado espiritual. A iniciativa, que faz parte do trabalho da ONG A.M.E (Ame Mulheres Esquecidas), tem impactado profundamente a vida de detentas em diversas unidades prisionais do Brasil.
Durante ocasião, registradas em vídeo e compartilhadas nas redes sociais, as voluntárias oraram pelas mulheres privadas de liberdade, pregaram a Palavra de Deus e realizaram momentos simbólicos e poderosos, como o batismo, a celebração da Santa Ceia e o gesto do lava-pés — inspirado no exemplo de Jesus Cristo descrito em João 13:1-17.
“Jesus nos convida a viver o Evangelho em gestos concretos. O lava-pés é mais do que um ato simbólico, é um chamado para romper barreiras, para mostrar que no Reino de Deus ninguém é descartável”, declarou a pastora Shaila, ao refletir sobre a importância de ocupar os lugares mais esquecidos da sociedade com ações de amor e serviço.”
Ao som de louvores entoados ao vivo, as presidiárias se emocionaram, cantaram, dançaram e participaram da Ceia do Senhor, em um ambiente de profunda comunhão e esperança. As cenas expressam não apenas um culto, mas um reencontro com a dignidade e com a fé.
A.M.E — O Amor em movimento
A ONG A.M.E foi fundada oficialmente em 4 de agosto de 2018, nascida de um sonho que Shaila teve, onde se via dentro de um presídio feminino cuidando de mulheres esquecidas pela sociedade. A primeira visita, no entanto, só ocorreu em maio de 2020, mas foi o marco para uma trajetória de impacto social e espiritual.
Desde então, a organização tem realizado visitas regulares a unidades prisionais, campanhas de doações e projetos de ressocialização, como o programa “Recomeçar”, voltado à reintegração das detentas após o cumprimento da pena.
“Sabemos que não fazemos o trabalho mais ‘bonito’ aos olhos da sociedade, mas certamente é um dos mais necessários. Estamos onde poucos querem estar, lidando com pessoas que muitos preferem ignorar. Mas fazemos isso porque o Amor nos impulsiona. Ele não pergunta quem merece, pergunta quem precisa. E elas precisam de nós”, afirma um trecho da missão institucional da ONG.
A A.M.E, hoje uma associação sem fins lucrativos, continua expandindo suas ações com o apoio de voluntários comprometidos e doadores sensíveis à causa. O trabalho segue gerando frutos espirituais e sociais, provando que, mesmo nos lugares de maior dor e abandono, o Evangelho é capaz de florescer e restaurar vidas.
Nos últimos cinco anos, a ONG relatou que em um cenário nacional onde a taxa média de reincidência no sistema prisional feminino chega a 42%, é possível escrever uma nova história.
Vivemos algo que não pode ser medido apenas por números, mas vamos tentar. Duzentos e duas mulheres foram batizadas, mais de 800 pés foram lavados e mais de 500 mulheres foram alcançadas pelas ações de capacitação da AME”, informou Shaila.
“Vivemos algo que não pode ser medido apenas por números, mas vamos tentar. Duzentos e duas mulheres foram batizadas, mais de 800 pés foram lavados e mais de 500 mulheres foram alcançadas pelas ações de capacitação da AME”, informou Shaila.
Conforme a pastora, as mulheres participaram de cursos profissionalizantes e palestras, e algumas até chegaram à universidade.
“Garantir acesso à educação é garantir acesso a um futuro. Foram realizados 555 atendimentos jurídicos, porque o acesso à justiça é um direito, não um privilégio”, relatou ela.
Mais de 200 cartas foram enviadas por “madrinhas” — mulheres que acolhem detentas que não recebem visitas. E 2.160 kits contendo itens de higiene, produtos de limpeza e alimentação foram entregues a mulheres que foram abandonadas por suas famílias.
“Elas sentaram à mesa não apenas para comer, mas para pertencer. Seus filhos também estão sendo cuidados, não estamos apenas confortando o presente, estamos mudando o futuro de uma geração”, informou Shaila.


fonte: guiame.com.br
