A CPFL Paulista voltou a acender o sinal vermelho sobre os riscos de empinar pipas perto da rede elétrica, uma prática comum, mas que segue causando acidentes graves, interrupções no fornecimento de energia e até mortes. O crescimento dos casos nos últimos anos preocupa a concessionária e mobiliza autoridades de segurança.

Os números falam alto. Somente em 2024, a distribuidora registrou mais de 4.870 ocorrências envolvendo pipas presas ou em contato com a rede elétrica. Em 2025, o total ultrapassou 6 mil registros, um salto superior a 20% em apenas um ano. KPI que ninguém quer bater.

Na região de Ribeirão Preto, que engloba 66 municípios, incluindo Franca, Barretos e Jardinópolis, foram contabilizadas 1.076 ocorrências no ano passado. O dado reforça o impacto direto dessa prática no sistema elétrico, especialmente durante o período de férias escolares, quando crianças e adolescentes passam mais tempo ao ar livre.

Segundo o gerente de Saúde e Segurança da CPFL Energia, Raphael Campos, o papel dos pais e responsáveis é decisivo. A orientação dentro de casa faz toda a diferença para garantir que a brincadeira aconteça em locais seguros e longe da rede elétrica.

Grande parte dos incidentes ocorre em áreas urbanas, quando a pipa atinge a fiação ou quando alguém tenta retirar o objeto preso nos fios. Nessas situações, o risco é imediato: choque elétrico, quedas, ferimentos graves e danos à rede de distribuição.

Outro ponto crítico é o uso de cerol e linha chilena, materiais altamente cortantes. Além de potencializar acidentes com a rede elétrica, essas linhas representam perigo real para pedestres, ciclistas e motociclistas. No Estado de São Paulo, o uso desses materiais é proibido por lei, conforme a Lei Estadual nº 12.192/2006.

Para reduzir os riscos, a CPFL orienta que as pipas sejam empinadas exclusivamente em áreas abertas, como parques e terrenos descampados, sempre longe de postes e fios de energia. Brincar em lajes, telhados, ruas ou próximo à rede elétrica é considerado risco iminente e deve ser evitado. A concessionária reforça ainda que nunca se deve tentar retirar pipas presas nos fios.

A recomendação também vale para as condições climáticas: dias de chuva ou ventos fortes aumentam o perigo, já que a umidade facilita a condução de eletricidade. Ao identificar fios caídos ou rompidos, a orientação é manter distância e acionar a CPFL pelo 0800 010 1010. Em casos com vítimas, o Corpo de Bombeiros ou o SAMU devem ser chamados imediatamente.

Além do atendimento telefônico, a CPFL disponibiliza o serviço Guardião no Zap, um canal via WhatsApp com orientações gratuitas sobre segurança com energia elétrica, pelo número (19) 3795-1705. Outras informações estão disponíveis no site do programa Guardião da Vida.