O Corinthians decidiu expulsar do quadro associativo do clube o ex-presidente Andrés Sánchez. A decisão foi tomada pelo Conselho Deliberativo em sessão realizada nesta segunda-feira, no Parque São Jorge.

Na votação aberta e nominal, 112 conselheiros votaram favoravelmente à expulsão, enquanto 49 foram contrários e seis se abstiveram.

O resultado acompanhou o parecer da Comissão de Ética do clube, que recomendou a exclusão de Andrés por supostas irregularidades relacionadas ao uso do cartão corporativo durante sua gestão na presidência do Corinthians.

Segundo o relatório da investigação administrativa interna, o ex-dirigente teria utilizado recursos do cartão corporativo para despesas pessoais entre agosto de 2018 e fevereiro de 2021. De acordo com cálculos apresentados pelo Ministério Público de São Paulo, os valores questionados chegam a R$ 480 mil, considerando correção monetária e juros.

No parecer analisado pelo Conselho, o presidente em exercício do órgão, Leonardo Pantaleão, afirmou que as irregularidades não poderiam ser tratadas como simples falhas burocráticas, sustentando que os fatos afetaram a credibilidade institucional do clube.

A Comissão de Ética também concluiu que Andrés Sánchez não apresentou comprovação suficiente de que os gastos contestados tinham finalidade institucional.

Na defesa enviada ao Conselho Deliberativo, Andrés alegou que o Corinthians não possuía uma política interna específica para regulamentar o uso do cartão corporativo. O ex-presidente também afirmou que parte das despesas estava relacionada a compromissos institucionais, houve confusão entre gastos pessoais e corporativos e que parte dos valores já havia sido ressarcida ao clube.

Além do procedimento interno no Corinthians, Andrés responde a ações na Justiça após denúncias apresentadas pelo Ministério Público de São Paulo. Em uma delas, ele foi denunciado por apropriação indébita. Já outra denúncia, envolvendo suspeitas de lavagem de dinheiro e crime tributário, acabou rejeitada inicialmente pela Justiça.

Na manhã desta segunda-feira, a defesa do ex-presidente tentou suspender a reunião do Conselho por meio de medidas judiciais, mas os pedidos foram negados.

Por conta de medidas cautelares que o impedem de acessar as dependências do clube, Andrés Sánchez não compareceu presencialmente ao Parque São Jorge. Sua defesa foi representada pelo advogado Alexandre Imbriani.