A Câmara dos Deputados passou a contar com três veículos da montadora chinesa BYD para utilização ao longo de 2026. Os automóveis foram cedidos em regime de comodato, ou seja, sem qualquer custo para o Legislativo.
O acordo foi publicado no Diário Oficial da União da última quarta-feira (28), tem validade de um ano e prevê o empréstimo dos seguintes modelos:
- Um BYD TAN blindado (2024/2025), avaliado em R$ 538.800;
- Dois BYD KING GL (2025/2026), com valor estimado de R$ 169.990 cada.
Desde 2024, a BYD vem cedendo veículos a diferentes órgãos públicos, entre eles a Presidência da República, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) e o Tribunal de Contas da União (TCU). Procurada, a Câmara dos Deputados não informou qual será a destinação específica dos veículos.


Incentivos fiscais ao setor
A cessão ocorre em meio a um cenário de incentivos e ajustes tributários voltados ao setor de veículos eletrificados. Desde agosto de 2025, montadoras estão autorizadas a importar kits de veículos elétricos e híbridos com alíquota zero, dentro de um limite de US$ 463 milhões em cotas.
A medida, porém, tem prazo determinado e vale apenas até 31 de janeiro, dependendo de renovação do governo para continuar em vigor.
Paralelamente, segue o cronograma definido em 2023 pelo Comitê Executivo de Gestão da Camex (Gecex), que prevê o aumento gradual do imposto de importação para veículos elétricos, híbridos e híbridos plug-in — que antes eram isentos. Segundo o governo, a estratégia busca estimular a produção nacional desses modelos.
O calendário de elevação das alíquotas é o seguinte:
- 10% em janeiro de 2024;
- 18% em julho de 2024;
- 25% em julho de 2025;
- 35% em julho de 2026.
Presença da BYD no Brasil
Em novembro do ano passado, a BYD inaugurou sua primeira fábrica no Brasil, instalada na Bahia. Como contrapartida, o governo estadual concedeu incentivos fiscais válidos até 31 de dezembro de 2032, conforme a legislação tributária local.
Além disso, alguns estados brasileiros mantêm políticas de isenção do IPVA para veículos eletrificados, reforçando o ambiente favorável à expansão desse tipo de tecnologia no país.
Resumo da ópera: enquanto o governo aperta o cerco tributário na importação, abre espaço para a produção local — e a BYD avança no tabuleiro, dentro e fora do setor público.
