O medicamento Lecanemabe deve começar a ser comercializado no Brasil a partir de junho, trazendo uma nova expectativa para pacientes diagnosticados com Alzheimer em estágio inicial. A medicação foi aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária em dezembro de 2025 e é considerada uma das principais apostas da medicina no combate à progressão da doença.

Segundo estimativas divulgadas ao jornal Estadão, o custo mensal do tratamento será de R$ 8.108,94 sem impostos. Com a incidência de tributos estaduais, o valor pode ultrapassar R$ 11 mil por mês, tornando o acesso um dos principais pontos de debate entre especialistas e famílias.

O lecanemabe atua diretamente sobre as protofibrilas de beta-amiloide, proteína ligada à degeneração dos neurônios em pacientes com Alzheimer. Diferente dos medicamentos tradicionais, que tratam apenas sintomas, a nova terapia busca desacelerar a evolução da doença.

Em estudos clínicos publicados no New England Journal of Medicine, pesquisadores observaram redução de 27% no declínio cognitivo e funcional em pacientes acompanhados durante 18 meses. A pesquisa reuniu 1.795 participantes em países da América do Norte, Europa e Ásia.

Especialistas afirmam que o medicamento não reverte danos já causados pelo Alzheimer, mas pode prolongar a independência dos pacientes por mais tempo, permitindo a manutenção de atividades do cotidiano nas fases iniciais da doença.

O tratamento é realizado por infusão intravenosa a cada duas semanas, em ambiente clínico, com dose calculada conforme o peso do paciente. Após a aplicação, a recomendação é que a pessoa retorne normalmente para casa até a próxima sessão.

Apesar dos resultados considerados promissores, médicos alertam para possíveis efeitos colaterais, como febre, dor de cabeça, tontura, confusão mental e, em casos raros, sangramentos cerebrais e complicações cardíacas.

O lecanemabe é o segundo medicamento aprovado no Brasil com foco na proteína beta-amiloide. Antes dele, a Anvisa já havia autorizado o uso do Donanemabe, desenvolvido pela farmacêutica Eli Lilly.

Com a chegada da nova medicação, cresce a expectativa por avanços no tratamento do Alzheimer, mas também aumenta a discussão sobre custo, acesso e os reais impactos na qualidade de vida dos pacientes e familiares.