O encarregado de negócios da Embaixada dos Estados Unidos em Cuba participou do Culto de Pentecostes realizado na histórica Igreja Batista El Calvario, em Havana, em um gesto que reacendeu o debate sobre liberdade religiosa na ilha caribenha.

Em vídeo divulgado pela embaixada americana, Mike Hammer, que ocupa o cargo desde 2024, destacou a importância da liberdade de culto e relembrou a ligação histórica da igreja com missionários dos Estados Unidos.

Segundo o diplomata, a congregação foi fundada há 124 anos por pastores americanos, durante o avanço das missões protestantes em Cuba no início do século XX. Entre bancos antigos, hinos e memória viva, a igreja segue como símbolo de uma fé que atravessou revoluções, embargos e décadas de tensão política.

A participação do representante dos EUA acontece em meio a um cenário delicado nas relações diplomáticas entre Washington e Havana. Apesar da retomada parcial do diálogo nos últimos anos, temas como direitos humanos, sanções econômicas, repressão política e liberdade religiosa continuam alimentando atritos entre os dois governos.

Recentemente, os Estados Unidos ampliaram a pressão sobre Cuba ao anunciarem acusações criminais contra o ex-presidente Raúl Castro, aumentando a tensão diplomática entre os países.

O governo americano frequentemente acusa Cuba de restringir a atuação de líderes cristãos e limitar a liberdade religiosa. Em relatórios recentes, o Departamento de Estado dos EUA, liderado por Marco Rubio, voltou a incluir a ilha em listas de observação relacionadas ao tema.

Por outro lado, autoridades cubanas e representantes ecumênicos afirmam que existe liberdade para prática religiosa no país e acusam Washington de usar o assunto como instrumento político internacional.

A relação entre o regime cubano e as igrejas mudou bastante desde a Revolução de 1959. Nas décadas seguintes, organizações religiosas enfrentaram restrições severas, como confisco de propriedades e limitação de atividades públicas. Já a partir dos anos 1990, houve uma abertura gradual para maior atuação religiosa em Cuba.

Mesmo assim, entidades cristãs internacionais continuam denunciando pressão estatal sobre igrejas independentes e monitoramento de líderes evangélicos.

A Portas Abertas afirma que igrejas cubanas convivem frequentemente com vigilância e dificuldades para obter reconhecimento oficial.

“Aqueles que se manifestam contra o regime, incluindo líderes de igrejas e ativistas cristãos, correm risco de prisão, campanhas difamatórias, assédio, restrições de movimento, violência física e encarceramento”, declarou a organização.

Segundo a entidade, muitas igrejas têm o registro oficial negado pelas autoridades, o que obriga diversas congregações a funcionarem de forma considerada “ilegal”, aumentando os riscos de perseguição.

Atualmente, Cuba ocupa a 24ª posição na Lista Mundial da Perseguição elaborada pela organização.

Nesse contexto, a presença do diplomata americano no culto foi interpretada por observadores internacionais como uma demonstração pública de apoio à liberdade religiosa na ilha.

A Igreja Batista El Calvario é considerada uma das congregações protestantes históricas de Havana e preserva até hoje a herança missionária norte-americana iniciada no começo do século passado.