Carlo Ancelotti pretende adotar uma abordagem diferente no comando da Seleção Brasileira durante a Copa do Mundo de 2026. O treinador italiano decidiu flexibilizar a rotina dos jogadores e vai permitir períodos de folga após as partidas para que os atletas possam passar um tempo com familiares e amigos.
A estratégia rompe com modelos mais rígidos utilizados em edições anteriores do Mundial e faz parte da filosofia de Ancelotti de priorizar também o lado emocional e mental do elenco ao longo da competição.
Segundo o treinador, os jogadores terão atividades de recuperação no dia seguinte aos jogos e, depois disso, poderão deixar a concentração, desde que mantenham responsabilidade e evitem excessos.
“As folgas já estão definidas. Vamos ter folgas depois das partidas. Passar um tempo com a família é muito importante. Será um período longo longe de casa, então cada um também terá que fazer seu sacrifício”, afirmou Ancelotti.
A preocupação do técnico está diretamente ligada ao desgaste físico e psicológico da equipe. Caso o Brasil alcance a final da Copa do Mundo, marcada para o dia 19 de julho, o grupo poderá ficar reunido por até 53 dias. A apresentação oficial da delegação está prevista para o dia 27 de maio.
Nem todos os atletas, porém, estarão presentes desde o início da preparação. Gabriel Magalhães, Gabriel Martinelli e Marquinhos disputarão a final da Liga dos Campeões e se apresentarão apenas em junho, já nos Estados Unidos.
Conhecido por sua habilidade em administrar grupos ao longo da carreira, Ancelotti acredita que o ambiente interno será decisivo para o desempenho brasileiro no torneio.
“Quando existe harmonia, tudo fica mais fácil. O ambiente é fundamental para o sucesso de uma seleção em uma Copa do Mundo. A CBF está muito focada em criar um ambiente saudável para passarmos todo esse período juntos”, explicou.
O treinador também destacou que a convivência fora de campo pode fortalecer os laços entre jogadores e comissão técnica.
“Precisamos criar um ambiente limpo, sem discussões, com regras claras. Todos precisam sentir que são importantes para a equipe, não apenas os jogadores, mas toda a comissão. Estamos trabalhando nisso desde já”, completou.
A concentração da Seleção será em Basking Ridge, cidade localizada a cerca de 55 quilômetros do MetLife Stadium, palco da estreia brasileira no dia 13 de junho contra o Marrocos e também da grande final da Copa. A delegação permanecerá baseada no local durante todo o torneio, viajando apenas para as partidas.
Apesar da flexibilização nas folgas, a CBF manterá a política de restrição à presença de familiares dentro da concentração oficial da equipe, seguindo o padrão adotado nas últimas Copas do Mundo.
Na edição de 2022, sob o comando de Tite, o grupo viveu uma rotina mais rígida no Catar. Na ocasião, os jogadores tiveram poucas horas livres após a vitória sobre a Suíça e precisaram retornar ao hotel da delegação ainda na mesma noite.
Vivendo sua primeira Copa do Mundo como treinador principal, Ancelotti afirmou ter sido surpreendido positivamente pelo ambiente encontrado na Seleção Brasileira.
“O que mais gostei foi o ambiente de trabalho. Todos falam o mesmo idioma, têm a mesma cultura. Em clubes isso é muito diferente. Aqui existe união, harmonia e proximidade. Isso facilita muito o trabalho”, concluiu o técnico italiano.
