Uma grave situação de saúde envolvendo um missionário cristão norte-americano tem mobilizado igrejas e organizações ao redor do mundo. O médico Peter Stafford foi infectado pelo vírus Ebola enquanto atendia pacientes na República Democrática do Congo, país que enfrenta um novo surto da doença na região central africana.

Stafford atua pela organização missionária cristã Serge e trabalhava em hospitais da região de Ituri, no leste congolês, uma das áreas mais afetadas pelo avanço da doença.

Após apresentar sintomas, o médico foi transferido para a Alemanha, onde permanece em isolamento recebendo tratamento especializado.

Em comunicado divulgado nas redes sociais, a organização pediu orações pela recuperação do missionário, pela família e pelas comunidades atingidas pelo surto.

“Mesmo em momentos assustadores, confiamos que Deus encontra as pessoas com misericórdia e presença em meio ao sofrimento”, declarou a missão.

Segundo a Serge, Peter Stafford foi diagnosticado com a variante Bundibugyo do Ebola, considerada rara e ainda sem vacinas ou tratamentos oficialmente aprovados.

O cenário preocupa autoridades internacionais. O novo avanço da doença já provocou mais de 130 mortes suspeitas e centenas de casos em investigação na República Democrática do Congo e em Uganda.

A esposa do médico, Rebekah Stafford, também missionária e médica, deixou o Congo junto com os quatro filhos do casal. Todos estão sendo monitorados por possível exposição ao vírus, embora até o momento não apresentem sintomas.

O diretor-executivo da Serge, Matt Allison, reforçou o pedido de oração.

“Nossos corações estão com a família Stafford e com as comunidades congolesas que enfrentam esse surto. Estamos orando por cura, proteção e misericórdia para todos os afetados”, afirmou.

Quem também se manifestou publicamente foi o evangelista Franklin Graham, que pediu apoio espiritual à família do missionário.

Segundo Graham, os Stafford participaram anteriormente de programas missionários ligados à Samaritan’s Purse.

O crescimento dos casos levou a Organização Mundial da Saúde a declarar emergência internacional de saúde pública. Especialistas demonstram preocupação com a velocidade da disseminação da doença em regiões marcadas por conflitos armados e estruturas médicas precárias.

Transmitido pelo contato direto com fluidos corporais de pessoas infectadas, o Ebola é considerado uma das doenças mais letais do mundo. Embora o risco de disseminação global seja apontado como baixo, autoridades alertam que a situação na África Central segue crítica.

Em meio ao medo, hospitais lotados e comunidades fragilizadas, a história da família Stafford expõe uma realidade silenciosa: enquanto muitos fogem das zonas de risco, ainda existem pessoas que escolhem permanecer para cuidar dos que mais sofrem — mesmo quando isso custa a própria segurança.