Na última quinta-feira, dia 14 de maio, o auditório do Senac Franca não apenas recebeu um evento técnico sobre hospitalidade e design; ele foi preenchido por uma energia vibrante e transformadora. O encontro “Hospitalidade sem barreiras, turismo e design de interiores acessíveis” foi uma vivência voltada à comunidade escolar, com foco total na conscientização sobre o acolhimento.
A noite teve a honra de receber a artista plástica e escritora Maria Goret Chagas, uma mulher cuja existência é, por si só, uma obra de arte. A mediação ficou por conta de Vicente Raymundini Neto, docente do Senac Franca, arquiteto, historiador e especialista em Design de Interiores e Visual Merchandising. Com maestria, Vicente conduziu o diálogo, unindo a sensibilidade técnica necessária às lições de vida de Goret para promover uma hospitalidade acolhedora, inclusiva e para todos.
Talento ao Vivo e Emoção
Um dos momentos mais marcantes da noite foi quando Goret demonstrou, na prática, como transpõe barreiras através da arte. A plateia ficou paralisada, em um misto de admiração e encantamento, enquanto a assistia pintar uma tela em aquarela utilizando apenas a boca e os pés. A fluidez de seus movimentos e a delicadeza do traço transformaram o palco em um ateliê de superação. Para coroar esse momento mágico, a obra finalizada ao vivo foi sorteada entre os presentes, permitindo que um pedaço desse “rastro colorido” seguisse para um novo lar.
O Milagre da Determinação
Membro da prestigiada Associação de Pintores com a Boca e os Pés (APBP), Goret é natural de Delfinópolis e carrega consigo uma força que desafia qualquer diagnóstico. Um dos momentos mais emocionantes da noite foi quando ela relembrou sua infância: aos cinco anos, movida por uma fé inabalável durante a Festa do Divino Espírito Santo, decidiu que participaria da procissão — custasse o que fosse. Ali, aconteceu seu primeiro milagre: os primeiros passos. Essa determinação a levou a graduar-se em Letras, escrever livros e conquistar o mundo, sendo a primeira artista PCD a expor no Carrossel do Louvre, em Paris.
Sensibilidade além das Normas Técnicas
Com uma doçura firme, Goret nos ensinou que a acessibilidade não se resume a centímetros de uma rampa; ela se fundamenta em pilares como empatia e inclusão.
- O Olhar do Profissional: Sob a mediação de Vicente, discutiu-se como o profissional de design e turismo precisa “se adaptar” ao outro, desenvolvendo uma escuta ativa para necessidades que nem sempre são compreendidas.
- Autonomia e Dignidade: Goret pesquisa e luta por seus direitos, citando exemplos de lazer inclusivo nas praias de Fortaleza e Rio, e diversas outras adaptações necessárias que realizou ao longo da vida como uma piscina com escada adaptada. Para ela, o sucesso é uma receita que leva Deus no coração, conhecimento e autonomia.
A Herança de Goret
A frase que ecoou pelo Senac e que resume sua passagem por Franca foi um verdadeiro presente para todos nós:
“Quero deixar um rastro colorido na vida das pessoas.”
E ela deixou. Maria Goret nos mostrou que o deficiente é fiel ao que ama e que a aprendizagem é a única ferramenta capaz de nos fazer crescer de verdade. Sua presença, aliada à expertise de Vicente Raymundini Neto, foi um lembrete afetuoso de que a hospitalidade começa no coração, passa pelo design estratégico e se concretiza na inclusão real de cada ser humano.






