Na manhã de hoje, dia 15, o Sesc Franca foi palco de um diálogo essencial para o empresariado e profissionais da região. A coluna acompanhou a palestra da Dra. Marina Greghi Sticca, Psicologa e Doutora em Engenharia de Produção, que trouxe luz às novas diretrizes da NR-1 (Norma Regulamentadora nº 1) sob a ótica da “Cultura de Cuidado”.

O encontro evidenciou que a implementação da NR-1 não é apenas uma formalidade burocrática, mas uma urgência estratégica. A atualização da norma, com vigência plena a partir de maio de 2026, concretiza comandos da Constituição Federal de 1988 ao tornar obrigatória a gestão de riscos psicossociais. Agora, as empresas devem incluir o cuidado com a saúde mental no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), tratando fatores como assédio e burnout com a mesma seriedade dos riscos físicos.

O Risco Além do Físico

A Dra. Marina enfatizou que os grandes vilões corporativos são a liderança tóxica, o estigma e a culpabilização do indivíduo. O foco deve deixar de ser apenas a assistência ao adoecimento para se tornar preventivo. Para isso, o gerenciamento de riscos ocupacionais deve seguir etapas rigorosas:

  1. Levantamento e Identificação: Mapear perigos e riscos psicossociais.
  2. Avaliação e Classificação: Utilizar matrizes de severidade e probabilidade para definir o nível de risco.
  3. Plano de Ação: Estabelecer medidas de prevenção, como pausas regulares, priorização de tarefas e realocação de demandas conforme a sobrecarga.
  4. Acompanhamento: Monitorar a saúde ocupacional e a eficácia das medidas implementadas.

Transparência e Ferramentas Práticas

A conscientização exige ferramentas que integrem o Inventário de Riscos ao cotidiano da empresa:

  • Cartilha de Orientação: Crucial para educar sobre melhorias e processos de escuta.
  • Transparência Técnica: É fundamental que os colaboradores conheçam os itens analisados e a classificação de risco (desde riscos baixos até níveis de “altíssima” prioridade).
  • Integração de Documentos: A Avaliação Ergonômica Preliminar (AEP) deve estar integrada ao inventário de riscos e ao plano de ação do PGR.

Saúde Mental é Linguagem de Negócios

A abordagem para com as empresas precisa ser direta: investir em saúde mental é investir em produtividade. Ambientes psicologicamente seguros reduzem o absenteísmo e potencializam o foco. O sucesso depende da adesão dos trabalhadores, o que exige canais de denúncia seguros e proximidade real das lideranças.


Ponto Central: O profissional responsável deve aplicar questionários metodologicamente estruturados e realizar uma escuta ativa, garantindo que o diagnóstico seja fiel à realidade e permita intervenções precisas, como o controle coletivo e administrativo das demandas de trabalho.


“Saúde mental no trabalho gera maior produtividade. É preciso ver além da questão financeira imediata e entender o valor humano como motor do negócio.”

A ação faz parte da Semana S (Semana do Comércio de Bens, Serviços e Turismo), uma iniciativa do Sesc e Senac, com o apoio fundamental da FecomercioSP, CNC e dos Sindicatos Empresariais (Sistema Comércio).

Com a obrigatoriedade da gestão de riscos psicossociais batendo à porta, sua empresa já iniciou a estruturação do inventário de riscos para 2026 ou ainda há dúvidas sobre como classificar esses fatores subjetivos?