Nascida no Iraque e criada em um ambiente marcado por rigidez e violência, Mai enfrentou anos de abusos dentro de casa antes de encontrar cura emocional e espiritual através da fé em Jesus.

Mai perdeu a mãe aos 10 anos de idade e, desde então, passou a sofrer agressões verbais e psicológicas do próprio pai, que dizia agir em nome de Deus. Segundo ela, o homem utilizava argumentos religiosos para justificar o comportamento abusivo.

“Eu acreditava que meu pai tinha algum poder espiritual e que Deus mandava ele agir daquela forma comigo”, contou em entrevista à CBN News.

Em 2009, a família se mudou para Nova York, mas a mudança de país não trouxe paz. Pelo contrário: segundo Mai, o controle exercido pelo pai se tornou ainda mais intenso.

Ela revelou que viveu anos escondendo a realidade dentro de casa, levando uma “vida dupla” durante a adolescência.

Um dos episódios mais traumáticos aconteceu no aniversário de 16 anos da jovem. Ao decidir sair com o cabelo solto para ir à escola, Mai foi violentamente repreendida pelo pai, que cortou seu cabelo à força com uma faca de cozinha.

Com o tempo, uma amiga alertou que aquilo não era disciplina, mas violência. A partir daí, Mai começou a pesquisar sobre abuso familiar e compreendeu que vivia em um ambiente tóxico e perigoso.

Movida pelo medo e pela necessidade de sobreviver, ela decidiu fugir de casa e buscar abrigo com a avó.

Apesar da liberdade conquistada, Mai enfrentou um período de profunda solidão e crise emocional. Ferida pela forma como a fé havia sido usada contra ela, chegou a questionar a existência de Deus.

Tudo começou a mudar quando ela conheceu Kirk, um cristão que lhe apresentou uma visão diferente do Evangelho.

Segundo Mai, foi através do amor, da alegria e da compaixão demonstrados por Kirk que ela passou a enxergar Deus de outra maneira.

Ela começou a frequentar uma igreja, estudar a Bíblia e, aos poucos, compreendeu a mensagem do amor e da misericórdia de Cristo.

“Quero conhecer o Deus que ama seus filhos e deseja restaurá-los”, lembrou.

Mai entregou sua vida a Jesus, foi batizada e mais tarde se casou com Kirk. Hoje, ela afirma que decidiu perdoar o pai para quebrar o ciclo de dor que carregava desde a infância.

“Eu precisava deixar meu passado para trás para viver plenamente aquilo que Deus tinha para mim”, testemunhou.

Atualmente, Mai diz que entende que sair de casa foi uma decisão necessária para reencontrar sua identidade, sua fé e descobrir que era digna de amor, paz e liberdade.