A engrenagem girava silenciosa — e perigosa. A Polícia Federal entrou em cena e cortou o fluxo de um esquema que tratava saúde como mercadoria clandestina. A operação, batizada de “Bula Fria”, mirou a comercialização ilegal de medicamentos oncológicos de alto custo na região de Franca, com desdobramentos em Ribeirão Preto e Cravinhos.
A ação foi cirúrgica e contou com reforço de peso: Ministério Público Federal, Receita Federal e Anvisa. No corporativo da lei, foi operação integrada — foco total em risco à saúde pública.
Segundo as investigações, o grupo trazia medicamentos de forma clandestina para o país, surfando na alta demanda e nos preços astronômicos de tratamentos contra o câncer. Entre os alvos do esquema está o Keytruda, um dos mais utilizados em terapias modernas — e também um dos mais caros do mercado.
Mas o problema não era só a origem ilegal. A cadeia logística era um desastre anunciado: armazenamento e transporte fora das condições ideais, sem controle de temperatura. Em bom português: remédio que deveria salvar, podendo virar risco. E aí não tem margem pra erro.
Durante a operação, foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão — um em Ribeirão Preto e outro em Cravinhos. Até agora, ninguém foi preso. Mas o jogo está longe de acabar.
Os investigados podem responder por um combo pesado de crimes: contrabando, falsificação de medicamentos, infrações tributárias e lavagem de dinheiro. No somatório, a conta pode passar de 20 anos de prisão.
A Polícia Federal segue avançando nas investigações, rastreando conexões e ampliando o mapa do esquema. Porque quando a saúde vira negócio sujo, o impacto não é só financeiro — é humano, direto e sem filtro.
