No dia 2 de abril, Dia Mundial de Conscientização do Autismo, a audiência pública reuniu a APAAF (Associação de Pais e Amigos dos Autistas de Franca) , famílias e autoridades em um importante espaço de diálogo, escuta e construção coletiva.
O encontro destacou conquistas, mas também reforçou a luta contínua por direitos, inclusão e respeito às pessoas autistas. A APAAF segue ouvindo de perto famílias que enfrentam diariamente uma verdadeira batalha pelo cumprimento da lei e pelo acesso digno aos atendimentos, trabalhando para que os direitos saiam do papel e cheguem, de fato, a quem precisa.
Um dos grandes diferenciais da APAAF é o atendimento gratuito ao núcleo familiar, oferecendo suporte completo com terapia familiar, acompanhamento psicopedagógico, assistência social, fonoaudiologia e apoio jurídico — fortalecendo não só a pessoa autista, mas toda a família.
A audiência contou com a presença do Grupo Mulheres do Brasil, especialmente do comitê de saúde, reforçando a união de esforços em prol da inclusão e do cuidado. Kely Matias, representante do grupo, destacou a importância dos profissionais no processo de desenvolvimento e o papel transformador do esporte como ferramenta de acolhimento e inclusão. Iniciativas como o Instituto Chui foram citadas como exemplo de cuidado e desenvolvimento humano, oferecendo atividades como basquete, karatê, entre outras, com acompanhamento adequado e foco na inclusão real. Ela reforçou uma mensagem essencial: a inclusão não é opcional, é um direito garantido.
Também foi destaque a participação de Enor Machado, presidente da Flor da Vida, promovendo a importância da saúde e do fortalecimento das políticas públicas.
Durante o encontro, foram levantadas preocupações importantes, como a discussão sobre a redução do tempo de terapias, tema que exige atenção e garantia de que nenhum direito seja comprometido.
Ana Paula Peixe informou que há um canal de denúncia disponível para a população junto ao Conselho da Pessoa com Deficiência, orientando que as famílias busquem esse recurso e mais informações nas redes sociais para garantir o cumprimento efetivo dos direitos.
Especialistas trouxeram reflexões fundamentais. O psiquiatra Silvio Antônio destacou que os determinantes sociais de saúde — como transporte e acessibilidade — impactam diretamente a qualidade de vida. Também reforçou que o sintoma é uma forma de comunicação, exigindo um olhar sensível e qualificado.
Foi ressaltado que o SUS estabelece o atendimento pela atenção primária, com foco na intervenção precoce. A Estratégia de Saúde da Família deve estar preparada, com profissionais capacitados para atuar desde os primeiros sinais, em conjunto com uma equipe multidisciplinar. O papel do médico é essencial como suporte, mas o cuidado efetivo depende da atuação integrada de diferentes profissionais.
O promotor Paulo Borges destacou que muitas demandas ainda são tratadas de forma individual, quando o autismo exige também um olhar coletivo. A soma das necessidades das famílias revela desafios que dependem da gestão pública, do fortalecimento das políticas públicas e da inclusão — tanto para o TEA ( Transtorno Espectro Autista) quanto para outras deficiências.
A iniciativa, proposta pela vereadora Marília Martins, reafirma o compromisso com políticas públicas mais humanas, eficazes e inclusivas.
Seguimos juntos por uma sociedade mais justa, acessível e acolhedora.

