Mudança estrutural no radar. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou nesta terça-feira (31) o projeto de lei que amplia a licença-paternidade no país — uma pauta antiga que agora sai do papel com implementação gradual.
Na prática, o benefício vai crescer em etapas: dos atuais cinco dias para 10 dias em 2027, 15 dias em 2028 e chegando a 20 dias em 2029. Um avanço progressivo, mas com impacto direto no dia a dia das famílias brasileiras.
O projeto foi aprovado pelo Senado no último 4 de março, mas essa história começou lá atrás. A proposta original foi apresentada em 2007 pela ex-senadora Patrícia Saboya e ficou quase duas décadas em discussão no Congresso. Um daqueles casos clássicos de ideia boa que levou tempo demais pra destravar.
Durante a tramitação, o relator na Câmara, Pedro Campos, foi direto ao ponto: garantir que uma criança chegue ao mundo cercada de cuidado não é luxo, é o básico. Ele também relembrou que o tema já era debatido desde a Assembleia Nacional Constituinte de 1987-1988, responsável pela construção da Constituição de 1988.
No campo técnico, a defesa ganha ainda mais peso. A pediatra Ana Escobar destacou que estudos mostram benefícios claros: a presença ativa do pai fortalece vínculos, apoia a mãe e contribui diretamente para o desenvolvimento do bebê — inclusive no aspecto cerebral.
No fim do dia, é uma virada de chave cultural. Mais tempo do pai em casa não é só agenda — é investimento em vínculo, equilíbrio familiar e formação desde o berço. Uma pauta que saiu do discurso e entrou na prática.
