Clima tenso no polo calçadista e sem acordo à vista.
Em assembleia realizada nesta quinta-feira (26), os trabalhadores do setor em Franca rejeitaram mais uma proposta apresentada pelo sindicato patronal, o Sindifranca. Resultado prático: estado de greve declarado. Traduzindo do “corporativês”: o sinal amarelo virou quase vermelho.
A proposta colocada na mesa foi de reajuste de 6,79%. Para os sapateiros, não fecha a conta. A categoria pede 8% no piso salarial — inflação mais ganho real — além do aumento da PLR (Participação nos Lucros e Resultados), que passaria de 110 para 130 horas. O vale-alimentação até entrou na pauta, mas já foi retirado após negativa das empresas.
A votação aconteceu na sede do Sindicato dos Sapateiros de Franca, no Centro, reunindo trabalhadores que já estão há quase um mês sem definição, desde a data-base em 1º de março.
São mais de 12 mil profissionais impactados diretamente por esse impasse. E o recado da assembleia foi claro: do jeito que está, não dá.
Apesar do endurecimento do discurso, a estratégia ainda é tentar reabrir negociação com o setor empresarial. Mas o estado de greve funciona como pressão legítima — um “último aviso” antes de uma possível paralisação.
No jogo de força entre fábrica e chão de produção, a bola segue no meio-campo. Só que o tempo está correndo — e ninguém quer sair perdendo.
