A partir desta semana, o jogo virou no mercado de crédito. Os correntistas já podem solicitar a portabilidade de empréstimos via open finance, com todo o processo feito de forma digital, direto no aplicativo do banco. Sem papel, sem peregrinação. É crédito mudando de casa com poucos cliques — do jeito que a tecnologia prometeu lá atrás.
Na prática, a novidade acelera (e muito) um caminho que antes era lento. Fora do ambiente do open finance, a portabilidade costuma levar de 20 a 25 dias. Agora, o consumidor ganha velocidade, transparência e poder de barganha para renegociar dívidas e buscar condições melhores. É concorrência na veia — e isso sempre puxa juros para baixo.
Neste primeiro momento, o serviço está disponível apenas para crédito pessoal sem consignação, o chamado crédito clean. Mas o roadmap é ambicioso. A ideia é escalar o modelo e incorporar, gradualmente, outras modalidades, ampliando o alcance da funcionalidade.
Para a presidente-executiva da Associação Open Finance Brasil, Ana Carla Abrão, o lançamento é um divisor de águas. Segundo ela, o objetivo é tornar o mercado mais comparável, acessível e transparente, colocando o consumidor no centro da decisão.
“A ideia é chegar ao crédito imobiliário, ou seja, abarcar o mercado de uma maneira muito ampla do ponto de vista de portabilidade”, afirmou.
Pelo cronograma atual, a portabilidade do crédito consignado do INSS deve entrar em operação a partir de novembro de 2026, ampliando ainda mais o impacto da ferramenta.
Criado pelo Banco Central e lançado em fevereiro de 2021, o open finance permite o compartilhamento padronizado e seguro de dados financeiros entre instituições, sempre com autorização do cliente. O modelo evoluiu do antigo open banking e passou a incluir informações de crédito, investimentos, seguros e previdência.
No fim das contas, é tradição bancária encontrando inovação digital — e quem ganha é o consumidor, com mais escolha e menos amarras.
