Um vídeo que circula amplamente nas redes sociais mostra um homem subindo em uma estrutura de outdoor na cidade de Los Angeles, nos Estados Unidos, para modificar uma mensagem que gerou forte reação entre cristãos. A intervenção consistiu em apagar a palavra “Not” (“Não”, em inglês) de um cartaz que afirmava: “Jesus is Not God” (“Jesus não é Deus”).

Ao cobrir a palavra, a frase passou a ser lida como uma afirmação da divindade de Cristo, sendo interpretada por muitos espectadores como uma declaração alinhada à fé cristã histórica. As imagens mostram o homem no alto da estrutura, com o horizonte da cidade ao fundo, realizando a alteração manualmente.

Outdoor gerou controvérsia teológica

O outdoor fazia parte de uma campanha do grupo World’s Last Chance (WLC), organização conhecida por divulgar conteúdos que questionam doutrinas centrais do cristianismo tradicional, como a Trindade e a divindade de Jesus.

Além da afirmação de que Jesus não seria Deus, o material também defendia que Cristo não teria pré-existido no Céu — uma posição considerada contrária às Escrituras pela maioria das denominações cristãs. A campanha inclui ainda outros temas controversos, como críticas à teologia trinitária e a divulgação de teorias não ortodoxas.

Evangelismo ou vandalismo?

A ação gerou debate nas redes sociais. Parte do público interpretou o ato como uma forma de proclamação da fé cristã e correção pública de uma mensagem considerada herética. Outros, no entanto, questionaram a legalidade e a legitimidade de alterar um espaço de publicidade sem autorização, mesmo quando motivado por convicções religiosas.

O evangelista e autor cristão Ray Comfort, fundador do ministério Living Waters, comentou o caso afirmando que mensagens como a exibida originalmente no outdoor representam um risco teológico, por negarem um dos pilares centrais da fé cristã.

Segundo Comfort, a Bíblia apresenta Jesus como “a imagem do Deus invisível”, e rejeitar Sua divindade equivale a uma contradição direta do ensino bíblico.

A fé cristã trinitária

A crença na Trindade — um único Deus que subsiste eternamente em três pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo — é sustentada pela maioria das tradições cristãs. Essa doutrina foi formalmente afirmada no Concílio de Niceia, realizado em 325 d.C., que rejeitou o ensino de que Jesus seria apenas uma criatura.

Na ocasião, a Igreja declarou que o Filho é “da mesma substância” (homoousios) que o Pai, reafirmando a plena divindade de Cristo. O concílio foi um marco histórico na definição da ortodoxia cristã e na rejeição de interpretações consideradas heréticas desde os primeiros séculos da fé.

Caso segue sem desdobramentos oficiais

Até o momento, não há informações oficiais sobre a identidade do homem que realizou a alteração, nem sobre possíveis consequências legais relacionadas ao ato. O vídeo segue circulando nas redes sociais e continua gerando reações diversas entre cristãos e internautas.