Unindo dança, performance, música e artes visuais, o espetáculo “OUTROS NAVIOS: danças para não morrer”, do artista da dança Mayk Ricardo (São José do Rio Preto/SP), chega à Franca no dia 14 de dezembro, domingo, às 19h, no Espaço Santorini. A entrada é gratuita, mediante doação de 1kg de alimento não-perecível. A sessão conta com acessibilidade em Libras e audiodescrição. A iniciativa tem apoio do Coletivo As Pretas.

Em “OUTROS NAVIOS: danças para não morrer”, quatro artistas revisitam suas próprias histórias em meio às violências cotidianas que atravessam corpos negros no Brasil, a fim de resgatar suas identidades e imaginar novos futuros coletivos possíveis. A montagem tem concepção e direção de Mayk Ricardo, que também assina a coreografia e integra o elenco, ao lado de Carol Cof, David Balt e Diego Neves. A partir da experiência individual e coletiva de cada intérprete, a criação propõe um gesto de resistência e reinvenção.

A apresentação integra o projeto “OUTROS NAVIOS: circulação para novos mundos”, contemplado pelo Edital Fomento CULTSP – PNAB nº. 27/2024 – Difusão e Circulação de Projetos Artísticos Culturais. Além de apresentações por cidades paulistas e ações formativas, está prevista a produção de um vídeo documental.

Sobre o espetáculo
Criada em 2023, a convite do Sesc Rio Preto, para integrar a exposição “OUTROS NAVIOS: fotografias de Eustáquio Neves”, a performance estabelece diálogos diretos com o imaginário visual e histórico construído pelo fotógrafo mineiro, refletindo sobre memória, deslocamento e sobrevivência.

A pesquisa propôs o encontro das obras fotográficas tanto nos corpos dos performers quanto no vídeomapping e projeções que compõem a dramaturgia, “Utilizamos a arte como estratégia de contra-ataque e prática de autodefesa para reconstruir nossas identidades, territórios e pertencimento; valorizando a ancestralidade, as afetividades e as singularidades”, afirma Mayk Ricardo.

O trabalho investiga as coreografias possíveis para esses corpos e suas histórias, tendo o afeto e a alegria como escolhas éticas e políticas de resistência frente às opressões. Em sua parte final, a cena se expande para além do palco: uma discotecagem ao vivo toma o espaço, assinada pelo DJ Taroba, convidando o público a se deslocar, dançar e celebrar junto. Este momento não surge como apaziguamento, mas como ato político: festejar a vida contra a pulsão de morte e afirmar a potência dos corpos negros enquanto sujeitos de alegria, desejo e invenção.