Milhões de brasileiros com carteira assinada estão enfrentando um problema grave: a ausência de depósitos no Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). O rombo já chega a R$ 10 bilhões em todo o país, segundo levantamento oficial.
Os estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro concentram o maior número de empregados prejudicados.
O caso do lanterneiro Ronaldo de Souza Dias ilustra a realidade de muitos trabalhadores. Após mais de três anos registrado em uma empresa, ele constatou que só havia recebido três depósitos no fundo. A descoberta veio quase por acaso:
“Quando começaram a atrasar o salário, tive a curiosidade de verificar as outras obrigações. Se o principal, que é pagar em dia, não estava sendo cumprido, imagine o resto. Foi quando vi que nada estava sendo pago”, relatou Ronaldo.
O problema não é isolado. Especialistas alertam que o FGTS, além de ser uma garantia em caso de demissão sem justa causa, também serve de apoio em momentos de necessidade, como financiamentos habitacionais, doenças graves ou aposentadoria. A ausência dos depósitos deixa milhões de brasileiros sem essa segurança.
A fiscalização da Receita Federal e da Caixa Econômica Federal tem identificado empresas de diferentes setores que não estão cumprindo a obrigação legal. Em muitos casos, o trabalhador só descobre a irregularidade ao tentar sacar o benefício.
Enquanto isso, sindicatos e advogados trabalhistas orientam que os empregados consultem regularmente seus extratos no aplicativo do FGTS ou diretamente na Caixa, para verificar se os depósitos estão sendo feitos corretamente.
