O Plenário do Senado Federal amanheceu com lotação máxima para vivenciar um marco político e social sem precedentes: a apresentação oficial da Agenda Legislativa do Grupo Mulheres do Brasil, em Sessão Solene do Congresso Nacional nesta quarta-feira, 10 de junho de 2026. Em uma cerimônia emocionante, cada cadeira ocupada por lideranças de todo o país simbolizou a força inabalável de um movimento que se consolidou como o maior grupo político não partidário do país e provou que as pautas de equidade não podem mais esperar.

A importância do movimento ganha um sabor ainda mais especial: Em Franca o Grupo Mulheres do Brasil celebrou em 2026 uma década de história, transformação e impacto social. São 10 anos de uma trajetória brilhante, transformando a realidade local, unindo propósitos e mostrando a força da sociedade civil organizada quando as mulheres decidem liderar o futuro.

A sessão histórica em Brasília foi requerida pela senadora Daniella Ribeiro (PP-PB), pela senadora Professora Dorinha Seabra (União-TO) — líder da Bancada Feminina no Senado, que coordenou a Mesa — e pela deputada federal Laura Carneiro (PSD-RJ), refletindo o respeito que o movimento conquistou nas esferas mais altas do poder.

Presenças de Peso e Representatividade

A mesa de honra e os debates contaram com grandes nomes que orgulham a liderança feminina nacional e internacional:

  • Janete Vaz: Presidente do Grupo Mulheres do Brasil Núcleo Distrito Federal e cofundadora do Grupo Sabin;
  • Jack Rocha: Deputada federal e coordenadora-geral dos Direitos da Mulher na Câmara;
  • Tabata Amaral: Deputada federal, que destacou a força do movimento na aprovação de projetos essenciais, como a ampliação da licença-paternidade.

A sessão contou ainda com a participação marcante das senadoras Damares Alves (Republicanos-DF) e Jussara Lima (PSD-PI), do senador Fabiano Contarato (PT-ES), além de autoridades internacionais, como o embaixador da Palestina, Mahuan Repril, a primeira-secretária do Reino Unido, Cara Garven, e o representante do PNUD no Brasil, Cláudio Providas. O Judiciário e os conselhos federais profissionais também enviaram seus principais dirigentes para chancelar o documento.

A Trajetória de um Gigante Suprapartidário

Criado em 2013 por um grupo de 40 mulheres lideradas pela inspiradora empresária Luiza Helena Trajano, atual presidente, o Grupo Mulheres do Brasil é um verdadeiro fenômeno de engajamento. Hoje, a rede pretende reunir mais de 140 mil participantes organizadas em 161 núcleos e 19 comitês de causas no país e no exterior.

A Agenda entregue ao Congresso foi construída de baixo para cima, unindo a análise técnica de propostas em tramitação às demandas reais coletadas diretamente nas bases do movimento. O documento surge como a resposta mais organizada e potente já vista para corrigir o desequilíbrio histórico de representatividade: as mulheres são 51,5% da população e a maioria do eleitorado, mas ocupam apenas 18% das cadeiras na Câmara dos Deputados e 19% no Senado.

“O Brasil não pode continuar tomando decisões para as mulheres sem as mulheres. Mas a voz da nossa democracia, infelizmente, ainda é masculina.”

Os 7 Eixos Temáticos e as Propostas de Destaque

Mais do que um documento, a Agenda é uma ferramenta de monitoramento contínuo e diálogo com os Poderes da República. Conheça as prioridades e o Giro de Atualidades que movem o Grupo Mulheres do Brasil no Congresso:

  • 1. Participação Política e Representatividade: Defesa de metas de igualdade, como a proposta que sugere a reserva de 20% das vagas dos Legislativos federal, estadual e municipal para mulheres. Quem vive as dificuldades na pele tem as melhores soluções.— Nenhum dos eixos apresentados na agenda pode ser negligenciado. Não haverá verdadeira transformação democrática sem que todos eles se concretizem — ressaltou a senadora Professora Dorinha Seabra.
  • 2. Enfrentamento à Violência contra a Mulher: Criação do Sistema Nacional de Enfrentamento da Violência contra Meninas e Mulheres, além da criminalização da misoginia. O senador Fabiano Contarato (PT-ES) observou com firmeza que a igualdade prevista na Constituição precisa ser prática, e não apenas letra da lei: — Homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações. Isso tem de ser uma realidade. Eu me envergonho quando temos índices elevados de feminicídio no Brasil —, lametou o parlamentar, prestando homenagem às vítimas.
  • 3. Violência Digital, Inteligência Artificial e Ambiente Online: O grupo atua de forma vanguardista na regulação da IA no Congresso. O avanço tecnológico acendeu um alerta urgente sobre o aumento da violência política de gênero, especialmente em ambientes digitais e períodos eleitorais. A senadora Damares Alves pontuou o perigo desse cenário: — Precisamos ocupar esses espaços, mas muitas mulheres desistem por causa da violência política de gênero. Com o advento da inteligência artificial, a situação se tornou ainda mais preocupante —, frisou.
  • 4. Autonomia Econômica e Trabalho: Foco na ampliação do acesso ao crédito, fomento ao empreendedorismo feminino, inclusão produtiva e equidade salarial.
  • 5. Saúde da Mulher: Combate rigoroso à violência obstétrica e expansão da vacinação nacional contra o HPV.
  • 6. Orçamento Sensível ao Gênero: Implementação de mecanismos para blindar recursos federais destinados a delegacias da mulher, saúde preventiva e linhas de crédito para empreendedoras contra cortes orçamentários.
  • 7. Educação e Formação: Fortalecimento da educação midiática, capacitação digital e formação para a cidadania.

Segurança Jurídica e Proteção Permanente

Ao declarar apoio total à iniciativa do Mulheres do Brasil, a senadora Damares Alves defendeu uma mudança profunda e estrutural nas políticas de proteção às mulheres brasileiras, argumentando que as ações não podem ficar reféns de alternâncias de governo.

— Temos de construir uma legislação sobre a proteção da mulher vítima de violência. Não pode ser tão somente uma portaria, um decreto ou uma resolução. Precisamos perpetuar os direitos e a proteção das mulheres — declarou a senadora, reforçando a necessidade de transformar essas diretrizes em leis definitivas para conferir maior segurança jurídica ao país.

O Impacto no Futuro do País

Para Luiza Helena Trajano, o fortalecimento e o amadurecimento do grupo mostram que aproximar a sociedade civil da política é um passo civilizatório essencial: “Não estamos falando apenas de pautas femininas. Estamos falando de desenvolvimento, democracia e futuro para o Brasil”.

Ficou claro para todo o Parlamento que o Mulheres do Brasil não quer apenas ocupar cadeiras; o grupo dita o ritmo e ajuda a definir os rumos da nação.

“Nós estivemos lá. E levamos a voz de cada mulher brasileira que não pôde estar.”Dra. Janete Vaz

O Avanço da Pauta no Congresso

O lançamento da Agenda dialoga diretamente com as principais movimentações e debates que ganharam força nas comissões e no plenário do Congresso:

  • Olhar atento sobre a Inteligência Artificial: O eixo que debate o ambiente online ganhou extrema urgência. O Grupo Mulheres do Brasil tem acompanhado de perto os debates de regulação da IA no Congresso, pressionando para que o texto final criminalize de forma severa os deepfakes e o uso de inteligência artificial para a criação de conteúdos pornográficos falsos e difamação de mulheres.
  • Orçamento Mulher e Transparência: A defesa de um “orçamento sensível ao gênero” chega em um momento crucial. O movimento quer garantir que os recursos federais destinados a delegacias da mulher, exames preventivos de saúde e linhas de crédito para empreendedoras sejam blindados de cortes orçamentários.
  • Enfrentamento à Violência Política de Gênero: Com a proximidade de novos ciclos eleitorais e a persistente baixa representatividade nas cadeiras do Legislativo, a Agenda reforça a cobrança pela aplicação rígida da lei que pune o assédio, a humilhação e a discriminação contra candidatas e detentoras de mandato.