Com o aumento do número de pessoas com deficiência nos Estados Unidos, igrejas da Califórnia têm investido em iniciativas para tornar o Evangelho mais acessível e acolher famílias que, muitas vezes, enfrentam dificuldades para participar da vida comunitária.
Dados recentes apontam que uma em cada seis pessoas no país possui algum tipo de deficiência diagnosticada. No caso do transtorno do espectro autista (TEA), a incidência já chega a uma em cada 31 pessoas, reforçando a necessidade de estruturas adaptadas para esse público.
Pensando nessa realidade, a Rede Ministerial do Sul da Califórnia lançou, em 2026, um projeto voltado à capacitação de igrejas para a criação de ministérios específicos para pessoas com deficiência. A iniciativa é coordenada pelo pastor Josh Raffeo, que atua há quase três décadas no ministério infantil.
A ideia surgiu há cerca de 12 anos, quando uma família com uma criança com deficiência visitou a igreja onde ele servia e descobriu que não havia qualquer suporte para acolhê-la. A experiência despertou no pastor o desejo de criar um ambiente onde todos pudessem conhecer Jesus.
Assim nasceu o Champions Club, inicialmente destinado às crianças, mas que, com o passar do tempo, foi ampliado para atender também adolescentes e adultos.
“Percebemos que havia uma comunidade inteira que ainda não estava sendo alcançada pelo Evangelho, mas a Grande Comissão é para todos”, afirmou o pastor.
Para atender às diferentes necessidades dos participantes, Josh desenvolveu materiais adaptados para limitações físicas, intelectuais e cognitivas, permitindo que cada pessoa aprenda sobre a fé de acordo com sua capacidade e faixa etária.
O impacto do projeto ultrapassou os limites da igreja local. Atualmente, cerca de 70 congregações da região já adotaram programas semelhantes para acolher pessoas com deficiência e suas famílias. Além das atividades para os participantes, os pais também recebem apoio por meio de pequenos grupos de convivência e orientação.
Diversos testemunhos têm marcado a trajetória do ministério. Kathy Hernandez, mãe de uma menina autista não verbal, conta que ouviu a voz da filha pela primeira vez após ela começar a frequentar as atividades.
“Um dia, estávamos no carro quando uma música cristã começou a tocar no rádio. De repente, ela começou a cantar alguns trechos. Foi a primeira vez que ouvimos sua voz. Deus nos presenteou com esse momento através de um louvor”, relatou.
Outra mãe, identificada como Carly, contou que precisou deixar diferentes igrejas por causa do comportamento do filho autista e já havia perdido a esperança de frequentar uma comunidade cristã.
“Isso aconteceu cinco vezes. Eu já tinha desistido da igreja, até conhecer o Champions Club. Hoje, meu filho mal consegue esperar pelo dia do culto”, testemunhou.
O ministério ganhou um novo capítulo em maio deste ano com o lançamento do Masterpiece Ministries, considerado o primeiro projeto da região voltado para pessoas com deficiência e também liderado por elas. Recepcionistas, músicos e voluntários com deficiência participam ativamente das celebrações e estudos bíblicos.
Durante um dos encontros, Josh contou que um homem não verbal levantou as mãos em adoração e tentou cantar durante o culto, emocionando toda a equipe de voluntários.
Com o crescimento do projeto, os planos incluem a criação de pequenos grupos adaptados para diferentes níveis de compreensão, além de atividades ao ar livre, como caminhadas de oração, leitura bíblica e momentos de interação com a natureza, para que ainda mais pessoas possam conhecer a mensagem do Evangelho de forma acolhedora e inclusiva.
